SÍLVIO SANTOS ENTREVISTA PAULO
SÉRGIO
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Durante seis anos, Paulo
Sérgio figurou como artista contratado do Programa
Sílvio Santos, participando dos mais diversos
quadros que compunham aquela atração.
Em 1976, a Revista Contigo publicou a matéria
abaixo reproduzida, na qual o famoso apresentador
entrevistou Paulo Sérgio. |
10 de março de 1944. O lar do humilde alfaiate Carlos
estava em festa. Nascia Paulo Sérgio, o primeiro
dos seus sete filhos. O tempo passou, Paulo Sérgio
cresceu e se transformou num dos mais disputados cantores
da Jovem Guarda. Aqui, Paulo Sérgio conta um pouco
de sua vida em Anutiba, município de Alegre, no Espírito
Santo, onde nasceu.
Sílvio Santos - Você foi um menino tranqüilo?
Paulo Sérgio - Nada disso. Eu fui
endiabrado. Não gostava de estudar e dei muito trabalho
aos professores do Colégio Evangélico, em
Manhumirim, Minas Gerais, onde estive internado.
Sílvio Santos - Você foi um menino pobre?
Paulo Sérgio - Um alfaiate com sete
filhos, num lugar pequeno, não pode ser chamado de
rico. Para cobrir o que meu pai não podia me dar,
eu engraxava sapatos na porta do cinema e, quando aparecia
um circo, vendia pipoca e amendoim para os assistentes.
Sílvio Santos - Em que religião você
foi educado?
Paulo Sérgio - Minha mãe,
Hilda, era beatíssima, e eu, todo carola, quase acabei
sendo padre. Aos 10 anos, já era presidente da Cruzada
Infantil Eucarística. Também fazia parte do
coro e ainda me lembro que cantava... “A treze de
maio, na Cova da Iria, no céu apareceu a Virgem Maria...”
Sílvio Santos - E de cinema, você gostava?
Paulo Sérgio - Eu era fanático
pelos seriados de Roy Rogers e Hopalong Cassidy, e por isso
me tornei um excelente cavaleiro. Eu sabia montar em pêlo
e imitava tudo o que meus heróis faziam nos filmes.
Nas minhas exibições eu era um sucesso, mas
em casa entrava na surra, porque além de rasgar a
roupa vinha sempre machucado.
Sílvio Santos - Quando você cantou em público
pela primeira vez para disputar um prêmio?
Paulo Sérgio - Foi aos nove anos,
cantando a moda caipira “Chofer de Estrada”.
Ganhei um cavaquinho, uma camisa, um perfume, um corte de
fazenda e um par de alpargatas.
Sílvio Santos - Até que idade você ficou
em Anutiba?
Paulo Sérgio - Até os onze
anos. Saí para estudar e fui morar com a minha vó,
Ponciana, no Rio de Janeiro. Matriculei-me no Colégio
Pedro I, onde estudava pela manhã. À tarde,
ajudava meu tio, que era alfaiate, e à noite, ia
ao Centro Recreativo Brás de Pina. Gostava mesmo
era quando o Cauby Peixoto cantava. A caloura que mais se
destacava no clube era a Wanderléia.
Sílvio Santos - O que você mais desejou quando
era rapazinho?
Paulo Sérgio - Eu queria ter um
violão. Fui trabalhar como boy em uma firma, mas
no final do mês meu pai ficou com meu salário
inteirinho. Também nessa época namorei um
par de sapatos um mês inteiro. No dia do pagamento,
comprei-os e cheguei todo feliz em casa. Meu pai foi na
loja e os devolveu. Então armei um plano. No meu
terceiro pagamento entrei em uma loja, comprei um par de
sapatos e já saí com eles no pé. Entrei
em outra loja, comprei uma camisa e saí com ela no
corpo. Essa parada meu pai perdeu. Mas quando fui receber
meu quarto salário, ele já havia sido retirado
por meu pai. Nesse dia, até chorei. Foi por isso
que não parei mais em emprego algum.
Sílvio Santos - Você tem alguma lembrança
especial dos seus quinze anos?
Paulo Sérgio - O Jair de Taumaturgo,
da Rádio Tupi, deixou certa vez eu cantar em seu
programa “Hoje é Dia de Rock”. Decorei
uma letra em inglês, que cantava sem saber uma palavra
do que estava dizendo. Na noite de estréia, tímido
e sozinho, esperava a minha vez de entrar. Quando o Jair
me chamou entrei em pânico e saí correndo para
a rua. Por mais três vezes aconteceu a mesma coisa,
até que finalmente tive peito e dei o meu recado.
Sílvio Santos - Como você venceu a timidez?
Paulo Sérgio - Comprei um violão
para adquirir mais segurança. O violão para
mim era como uma arma, um companheiro. E com ele abri meu
caminho.
Sílvio Santos - E a primeira namorada, como foi?
Paulo Sérgio - Na Praça da
Bandeira, no Rio, morava uma mocinha de 17 anos, que me
enfeitiçava com os seus lindos e enormes olhos castanhos.
Namoramos durante três anos. Esse namoro quase me
matou, pois eu era muito ciumento e, por isso, sofria muito.
Depois que terminamos, ainda passei um ano rondando a sua
casa, magro, amarelo, tristonho.
Sílvio Santos - Em sua carreira, o que mais magoou
você?
Paulo Sérgio
- No começo, tudo o que eu gravava, estourava.
Com o sucesso, vieram as calúnias. Diziam que eu
imitava Roberto Carlos. Fui ficando tão nervoso com
as críticas – para as quais eu estava despreparado
– que um dia larguei tudo e me mandei para minha terra.
Chegaram até a dizer que eu havia me matado. Nem
minha família, nem minha gravadora sabiam onde eu
estava. Quando fiquei sem nenhum níquel, aceitei
cantar por 50 Cruzeiros. Mas, na hora de entrar em cena,
o antigo medo voltou e eu, como o menino assutado do tempo
de Jair, saí correndo e desapareci na noite...
FONTE:
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 A
matéria acima reproduzida foi publicada pela
revista "Contigo" (1976) e é parte
integrante do acervo pessoal de Diego Quintanilha,
co-editor do site "Paulo Sérgio In Memorian". |