Na madrugada do dia 10 de março de 1944, em Alegre,
Espírito Santo, nascia uma estrela com mais intensidade,
Paulo Sérgio de Macedo, primeiro filho do alfaiate Carlos
Beath de Macedo e de Hilda Paula de Macedo. Segundo depoimentos
de seus familiares, se não tivesse sido um excelente
cantor, teria se realizado como alfaiate, haja vista que aos
10 anos freqüentava a alfaiataria do pai, aprendendo os
primeiros segredos da agulha e da tesoura. Porém, a
veia artística já desenhava cedo, aos 6 anos
de idade, quando em Alegre apareceu aquelas caravanas de artistas
das emissoras de rádio do Rio de Janeiro e, ao fim do
espetáculo, os artistas resolveram promover um mini-concurso
de calouros. Paulo Sérgio foi escolhido o melhor entre
vários concorrentes. A partir daí, passou a ser
requisitado como atração especial em todas as
festinhas da escola e do bairro.
Ao chegar no Rio de Janeiro, para onde a família se
mudou, a trajetória do menino Paulo ganhou uma nova
conotação. Estudou no Colégio Pedro II
e morava em Brás de Pina, quando terminou o ginásio.
Aos 15 anos, foi trabalhar em uma loja em Bomsucesso. Coincidência
ou não, era uma loja de discos e eletrodomésticos,
chamada “Casas Rei da Voz”. Como tocava bem violão,
logo os amigos o incentivaram e Paulo Sérgio começou
a mostrar suas composições. Imediatamente, virou ídolo
em Brás de Pina.
Os anos 60 sacudiam a juventude e Paulo Sérgio fez
seu batismo no programa “Hoje é Dia de Rock”,
comandado por Jair de Taumaturgo, o mais badalado entre os
jovens do Rio. Posteriormente, passaria ainda por muitos outros
programas de calouros, como o “Clube do Rock”,
do saudoso Rossini Pinto, por onde também passaram muitos
outros ídolos que iriam formar o pessoal da Jovem Guarda.
Em 1967, a grande oportunidade de Paulo Sérgio surgiu,
quando um amigo seu foi convidado para realizar testes na gravadora
Caravelle, do empresário Renato Gaetani. Paulo, então,
prontificou-se a acompanhar o amigo ao violão, que infelizmente
não teve sorte. Porém, durante o teste, descobriram
que Paulo Sérgio também cantava, e já que
estava ali manifestaram interesse em ouvir algumas de suas
composições. A Caravelle havia descoberto sua
mina de ouro. O timbre de voz era exatamente o que os donos
da gravadora estavam procurando e o contrato de imediato foi
assinado. Logo lançaram seu primeiro disco, um compacto
simples, que continha as músicas “Benzinho” e “Lagartinha”.
O sucesso veio em todo o Brasil, quando as “maldades” surgiram,
dizendo que Paulo Sérgio imitava Roberto Carlos. O “Rei”,
inclusive, lançaria em seguida um álbum denominado “O
Inimitável”. Segundo depoimentos de pessoas próximas
de Paulo, ele era um pouco triste. Talvez pelo fato de alguns
críticos não o terem reconhecido como um cantor
bastante pessoal, sem intenção de querer imitar
qualquer outro cantor. Logo, em 1968, veio o segundo compacto
e afirmação definitiva, através da melodia “Última
Canção”, que vendeu mais de 300.000 cópias.
Em seguida, era lançado o seu primeiro álbum,
onde quase todas as faixas foram sucessos em todo o Brasil.
Posteriormente, Paulo Sérgio ingressaria na gravadora
Beverly/Copacabana, por meio de um contrato que, segundo o
então diretor da companhia, Rosivaldo Cruz, foi um dos
maiores já assinados dentre todos os artistas que passaram
por aquela gravadora, sendo considerado o maior acontecimento
artístico do ano de 1972.
No dia 4 de março de 1972, Paulo Sérgio contraiu
matrimônio com Raquel Teles Eugênio de Macedo,
a qual conhecera casual e sugestivamente num pequeno acidente
de trânsito. O casamento aconteceu secretamente, numa
cerimônia simples, em Castilho, pequena cidade do interior
de São Paulo. No ano de 1974, nascia Rodrigo, que mais
tarde usaria artisticamente o cognome de Paulo Sérgio
Jr. Além de Rodrigo, Paulo Sérgio tivera ainda
duas filhas, Paula Mara e Jaqueline Lira, fruto de relacionamentos
anteriores.
ÚLTIMA APRESENTAÇÃO
- No dia 27 de julho de 1980, um domingo, Paulo Sérgio
fez sua última apresentação na TV. Esta
ocorreu no programa do saudoso apresentador Edson Cury (“Bolinha”),
da Rede Bandeirantes de Televisão, onde cantou duas
músicas do seu último trabalho fonográfico: “O
Que Mais Você Quer de Mim” e “Coroação”.
ÚLTIMOS MOMENTOS - Logo
após apresentar-se no “Programa do Bolinha”,
nos arredores do teatro onde aquele programa era veiculado,
na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio (São Paulo-SP), Paulo Sérgio
envolveu-se num incidente que talvez tenha provocado sua morte.
Quando se preparava para ir embora, foi insultado por uma ex-fã,
que fez comentários desairosos a respeito de sua condução
como artista e ser humano. Paulo, então, reagiu agressivamente
quando esta atirou uma pedra em sua direção,
atingindo e quebrando o pára-brisa do seu carro. Paulo
Sérgio ainda realizaria uma rápida apresentação
num circo instalado no bairro de Santo Amaro, na zona sul da
capital paulista, deslocando-se em seguida para um outro circo,
situado em Itapecerica da Serra-SP, onde faria sua última
apresentação.
Ao iniciar o show, Paulo Sérgio já não
estava se sentindo bem, queixando-se de fortes dores de cabeça.
Num dado momento, comunicou o fato à platéia,
desculpou-se e seguiu para o camarim. De lá, foi conduzido,
já inconsciente, para o Hospital Piratininga e, diante
da gravidade do caso, transportado para a Unidade de Terapia
Intensiva do Hospital São Paulo. Durante quase 48 horas
Paulo Sérgio permaneceu em coma. Na terça-feira,
29 de julho de 1980, não resistiu. Às 21 horas,
os médicos constataram sua morte. Durante a madrugada
e a manhã seguinte o corpo do cantor ficou exposto para
visitação no velório do Cemitério
de Vila Mariana, em São Paulo. Atendendo ao pedido dos pais
de Paulo Sérgio,
o seu corpo
foi sepultado no Rio de Janeiro. Na capital carioca, o velório
ocorreu no Cemitério
do Caju. Entre os cantores que prestaram suas últimas
homenagens, podemos citar Antônio
Marcos, Jerry Adriani, Agnaldo Timotéo e Zé Rodrix. Às
16 horas do dia 30 de julho (quarta-feira), o seu corpo baixava à sepultura
ao som de seu maior sucesso, “Última Canção”.
PAULO SÉRGIO IMORTALIZADO - Por
indicação do então vereador Almir Guimarães,
da Câmara Municipal de São Paulo, uma rua do bairro
do Butantã chama-se Paulo Sérgio de Macedo. Em
sua indicação, que ocorreu no dia 13 de agosto
de 1980, o vereador justificou a homenagem ao grande cantor.
Já no dia 15 de outubro, no Diário Ofical do
Município”, era designada a rua que leva o nome
de Paulo Sérgio, decreto assinado no dia anterior pelo
então prefeito Reynaldo de Barros. Foram poucos os cantores
brasileiros que em 13 anos de carreira conseguiram formar uma
discografia tão variada e tão cheia de sucessos.
Os discos de Paulo Sérgio, originalmente lançados
sob o formato “long play”, já foram quase
todos remasterizados e distribuídos sob o formato “compact
disc”.
Fonte:
Blog “Túnel do Tempo”
Pesquisa: Djair Nogueira e Wellington Farias
Link: http://dnstudio.blogspot.com